terça-feira, 6 de maio de 2008

Governo repassa ao Legislativo informações da PF que desmentem falso testemunho de delegado na CPI

O chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, o líder do governo, Márcio Biolchi (PMDB), e o secretário de Segurança Pública, José Francisco Mallmann, entregaram, nesta segunda-feira (5), ao presidente da Assembléia Legislativa, Alceu Moreira, e ao presidente da CPI do Detran, Fabiano Pereira, documentos com informações repassadas pela Polícia Federal (PF) que desmentem o falso testemunho do delegado Fernando Tubino na CPI do Detran, no dia 25 do mês passado. Mallmann informou que a questão já está na Corregedoria de Polícia. “As declarações são infundadas, e os fatos estão sendo apurados pela Corregedoria”, salientou.

No documento, o superintendente da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, respondendo a ofício do secretário Mallmann, afirma categoricamente “que em nenhum momento foram repassadas informações em caráter extra-oficial para quaisquer órgãos ou pessoas e que em nenhuma passagem da investigação consta menção a aquisição imobiliária por parte da Sra. Governadora do Estado. Tampouco foi apreendido ou solicitado qualquer título de crédito que consubstancie tal suposta transação ou negócio jurídico subjacente, tal como cheque”.

A resposta de Gasparetto, com base em ofícios dos delegados Sérgio Busato e Gustavo Schneider, esclarece que são inverídicas as afirmações do delegado Luiz Fernando Tubino, em sessão pública da CPI do Detran.

"Causa estranheza a esta autoridade policial as notícias veiculadas na imprensa local e atribuídas ao delegado Luiz Fernando Tubino no sentido de que a Polícia Federal, através da Operação Rodin, teria identificado um cheque utilizado no pagamento da aquisição de um imóvel por parte da governadora do Estado do Rio Grande do Sul, primeiro pois tal fato é inverídico e, depois, porque em nenhum momento a governadora Yeda Crusius foi objeto de investigações na Operação Rodin”, afirma o delegado Busato no ofício assinado por ele em resposta à questão.

Na correspondência, Busato acrescenta que “o delegado Luiz Fernando Tubino não participou de nenhum ato investigativo ligado à Operação Rodin, muito menos teve acesso a essas informações de parte de qualquer membro da equipe de policiais federais, que ficaram responsáveis pelo respectivo inquérito policial federal, não sendo possível, destarte, ser verdadeira a notícia veiculada”.

Por sua vez, ao afirmar que em nenhum momento foram repassadas informações em caráter extra-oficial para quaisquer órgãos ou pessoas, o delegado Gustavo Schneider acrescenta que “tal comportamento seria incompatível com a seriedade do trabalho despendido e configuraria infração às normas que regulam a atividade profissional, destacando-se que a manutenção da sigilosidade, em casos tais, é condição para o êxito da atividade”. Conforme esclarece, em nenhum momento da investigação houve menção a aquisição imobiliária por parte da governadora do Estado.

O chefe da Casa Civil ressaltou, no encontro, mais uma vez a necessidade de a CPI retomar o seu foco de investigação. “A comissão deve deixar de lado manobras infundadas, tentando comprometer a governadora e se voltar aos fatos determinados que justificaram formalmente a sua instalação”, disse. Até o momento, segundo o secretário Busatto, a CPI ainda não fez uma discussão profunda sobre o preço da carteira de habilitação, o índice de reprovação nos exames práticos e teóricos, por exemplo.

CEEE registra mais de 4,3 mil serviços em função de chuvas e ventos

A Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE D) continua o trabalho de reparo do sistema de energia, iniciado no sábado (3), após os estragos ocasionados pela passagem do ciclone extratropical, que trouxe ventos de até 120 km/h ao Estado, atingindo, em especial, as regiões Metropolitana de Porto Alegre e o Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

Desde o início da operação especial de restabelecimento da energia elétrica, já foram realizados mais de 4.360 serviços na Capital, Região Metropolitana e no Litoral Norte, as áreas mais afetadas. A ação da Companhia envolveu, nesta segunda-feira (5), 115 equipes emergenciais e de manutenção. Nos dois últimos dias, a CEEE trabalhou com cem equipes.

O diretor de Distribuição, Rogério Sele da Silva, diz que a CEEE adotou diversas providências para minimizar os problemas. Segundo ele, além dos recursos existentes na empresa, a diretoria contratou, emergencialmente, mais equipes, caminhões e eletricistas. Além disso, formou outras dez equipes com 20 eletricistas de setores do Interior, chamados para reforçar o mutirão na Capital.

“Como as chuvas começaram sexta-feira, a empresa já estava trabalhando com seus técnicos da área de operação e manutenção, porém a incidência dos ventos na madrugada de sábado provocou uma situação poucas vezes ocorrida na Capital gaúcha. Cerca de 200 mil clientes ficaram sem energia simultaneamente”, acrescentou Sele.

Segundo ele, os estragos registrados foram muitos e variados. Dos 141 alimentadores que partem de 13 subestações de energia e abastecem os consumidores de Porto Alegre, 37 foram desligados logo após o início dos ventos.

Sele explica que, mesmo a CEEE tendo conhecimento da proximidade do ciclone e os setores da Companhia possuírem programação especial para atuar em situações dessa natureza, a intensidade do fenômeno e a quantidade de estragos exigiram um tempo maior para finalização do trabalho.

Teleatendimento
Desde sábado, a Central de Teleatendimento, que opera através do telefone 0800 721-2333, manteve uma média de 55 postos. Pelos registros, até as 16h desta segunda-feira (5), mais de 32 mil clientes haviam sido atendidos. Segundo dados da Embratel, 1,8 milhão de ligações foram feitas para o telefone durante os três dias, o que, em diversos momentos, provocou congestionamento da rede.

Levando-se em consideração todas as áreas envolvidas nesse trabalho especial, somam-se mais de 500 pessoas. Somente na Capital, em Viamão, Guaíba, Alvorada e Eldorado do Sul, já foram executados 45 serviços nas redes de alta tensão, 229 na baixa tensão, 246 em ramais de serviço, e trocados 21 transformadores e 92 postes.

No Litoral, onde atuam 45 equipes (38 leves e oito pesadas), foram recolocados oito transformadores e 51 postes. Na recuperação de linhas, houve 300 serviços em redes de baixa e média tensões e 560 em ramais de ligação. Segundo dados da Divisão de Operação e Manutenção da CEEE, cerca de um terço dos problemas foram gerados por causas vegetais.

No último levantamento, às 20h desta segunda-feira (5), ainda havia problemas em seis mil unidades consumidoras, em pontos isolados nas zonas Sul e Norte de Porto Alegre, em Guaíba, Viamão, Alvorada e no Litoral Norte. O maior número de serviços ocorreu em Tramandaí e Imbé e em áreas rurais. A CEEE continua alertando para que a população não toque nem se aproxime de fios caídos em ruas, para evitar choques e acidentes graves.

Defesa Civil divulga balanço de ações em favor de atingidos por ciclone extratropical

A Coordenadoria Estadual da Defesa Civil anunciou, nesta segunda-feira (5) à tarde, que o número de desalojados em conseqüência dos ventos e chuvas provocados pelo ciclone extratropical que atingiu o Estado, neste final de semana, diminuiu de 3,5 mil para 3 mil. Os números abrangem Porto Alegre (principalmente a Zona Sul) e municípios da Região Metropolitana e do Litoral Norte, que são os locais onde a situação foi mais grave. Nessas regiões, 350 pessoas estão desabrigadas. Ao todo, foram afetadas 200 mil pessoas.

As precipitações (que chegaram a 190 milímetros na Região Metropolitana, nesse domingo, 4, e a 180mm em Caará) causaram chuvas em 378 dos 496 municípios gaúchos. Até o momento, sete decretaram estado de emergência. São eles Santo Antônio da Patrulha, Alvorada, Caará, Três Forquilhas, Itati, Tramandaí e Riozinho. Os ventos alcançaram entre 70 e 120 km/hora.

Os números atualizados e as ações que estão sendo desenvolvidas em benefício dos municípios foram divulgados em entrevista coletiva, pelo coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Edson Ferreira Alves, pelo subchefe estadual, tenente-coronel Joel Prates Pedroso, e pela presidente do Comitê de Ação Solidária do Governo do Estado, Tarsila Crusius. O Comitê de Ação Solidária (que já encaminhou mais de 1,5 mil peças de roupas e 300 colchões a desalojados), o Corpo de Bombeiros - vinculado à Brigada Militar (BM) - e as prefeituras são parceiros da Defesa Civil na execução dos trabalhos.

Assistência
De acordo com o coronel Ferreira Alves, este foi um dos maiores fenômenos climáticos ocorridos no Rio Grande do Sul nos últimos dez anos, tanto em extensão geográfica quanto em população envolvidas. Cinco dias antes, a Defesa Civil já estava preparada para prestar socorro a vítimas do ciclone e serviços de reparos em locais atingidos.

O órgão também manteve contato permanente com as prefeituras, repassando previsões dos institutos de meteorologia e orientações sobre providências a serem tomadas. "O Rio Grande do Sul é um dos primeiros estados do Brasil a ter a Defesa Civil articulada por regionais e a trabalhar em conjunto com as defesas civis municipais", observou o coordenador estadual.

Tarsila Crusius disse que o trabalho do Comitê de Ação Solidária na arrecadação e repasse de donativos (como roupas e alimentos) às populações prejudicadas vem contando com a voluntariedade de interessados em ajudar e fez um apelo para que mais pessoas e empresas se solidarizem com as comunidades necessitadas. Entre as empresas colaboradoras, estão os grupos Zaffari e Renner.

"Aqueles que estão dispostos a contribuir encontram no Comitê o caminho para que as doações cheguem a quem precisa", disse Tarsila, informando que a Defesa Civil indica os locais onde há maior urgência de donativos. Pessoas que queiram participar podem entrar em contato pelos telefones 199 (Defesa Civil), 3210-4219 (plantão no Palácio Piratini), 3212-4678 e 3212-2675 (ambos da Central de Doações).

segunda-feira, 5 de maio de 2008